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Glória Maria nos deixa aos 73 anos



Glória é um ícone da cultura brasileira, pois além de ser a primeira repórter negra do Brasil, foi precursora na luta contra o racismo.


Sua passagem na terra é de extrema importância. Enquanto mulher negra, abriu as portas para que outras mulheres negras pudessem ter o seu espaço na sociedade.


Glória foi uma personalidade brilhante e espontânea, entrevistou celebridades outrora inacessíveis como Michael Jackson e Madonna. Cobriu importantes fatos históricos do Brasil e do mundo, como a posse do presidente Jimmy Carter, em 1977.  Mostrou aos brasileiros as diferentes culturas ao redor do planeta, nos trouxe conhecimento e entretenimento. Mas ela não nos mostrou apenas belezas.


Sua voz enquanto jornalista negra mostrou a face oculta da ditadura no nosso país, defendeu a democracia, denunciou crimes contra o povo brasileiro e teve muita coragem ao levantar a sua voz contra o racismo, o preconceito e o sexismo.


Sua presença abriu oportunidade para outras mulheres negras na televisão, pois sua imagem ajuda a mudar o estigma da mulher negra. Se antes a mulher negra ocupava apenas um espaço de submissão e símbolo sexual, agora ela está lado a lado na televisão com outros homens exercendo um papel ativo na luta contra o racismo. Isso é poderoso.


A sua voz nos ensina a não nos calar diante daquilo que consideramos errado, nos ensina a lutar de forma pacífica, mas forte pelo nosso espaço. Ela é um exemplo de atitude e posicionamento que nos inspira a não nos calarmos, e sim elevarmos a nossa voz para construirmos juntos um país melhor para todos os brasileiros.


Glória nos deixou no dia de hoje, enquanto lutava contra um tumor metastático no cérebro.


Apesar dela ter tido acesso à um bom tratamento, essa não é a realidade da maioria das pessoas negras no Brasil.


Muitos de nós ainda não tem acesso fácil ao sistema de saúde, sentimos falta de empatia quando somos atendidos por médicos brancos que acham que somos mais fortes e podemos aguentar tratamentos mais invasivos e percebemos o racismo na saúde quando o Ministério da Saúde divulga que mulheres negras recebem menos tempo de atendimento médico do que mulheres brancas.


O legado de Glória Maria continuará reverberando e nos inspirando a lutar por mudanças para a população negra.


Muito obrigada por tudo, Glória.

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